Santa Vírgula!

Há algum tempo a vírgula é um problema para muitas pessoas. Leitores e escritores. Não mais para uns do que para outros. O que antes marcava o ponto de respiração na leitura da frase, passou, então a significar uma pausa estratégica para a compreensão, depois veio vestida de vício de linguagem até chegar a ser a expressão de uma característica pessoal de discurso.

De tão criticada, hoje ela é uma pontuação permeada pelo bom-senso e pela personalidade de cada escritor: quem acha que precisa, põe; quem acha dispensável, tira. Tem aqueles que, pela complicação da escrita, acabam, sem notar, abusando, exagerando, enchendo o saco, até.

Em poucos casos ela ainda é defendida com unhas e dentes e nessa os vocativos e apostos são sempre os que se salvam: continuam isolados, vírgula antes e depois. Até mesmo em posições consideradas absurdas, como entre sujeito e predicado, agora se vê o tal separador ali (ainda que alguns gramáticos defendam justamente o contrário, como o exemplo do Napoleão Mendes de Almeida).  Não porque a regra permita exceções, de fato; entretanto, a oralidade nos textos tem sido tão bem aceita – e também tão utilizada – que a inserção do elemento não causa estranheza ao leitor, mas este entende ser uma marca da tonalidade de uma fala.

Há quem use, inclusive, ponto final no lugar da famigerada, utilizando-se de frases mais curtas, diretas e pontuais. Pode parecer estranho. Muita gente gosta. Fazem disso seu estilo de escrita. Pena que canse tão tápido. A leitura soa atravancada. Não acham?

Inversão da ordem dos elementos da frase? Tira a vírgula, e não precisa ter dó nem piedade! Pois de argumento o desejo, então, nos serve afinal.

No fundo, a língua portuguesa está se tornando cada vez mais subjetiva, adaptando-se às mais diversas formas de linguagem. Hoje é possível admitir que não existem erros ou acertos, desde que o referencial seja a variação linguística. Ao menos ela ainda não teve o mesmo fim do pobre trema…

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