Crônica “Código do não-ridículo – Para Homens”,em Vida a Sete Chaves

Se você é homem, ouça: não use correntes curtas.

E se você é homem e tem um mínimo de vaidade, ouça e grave: não use correntes curtas. E, por fim, se você for homem, tem um mínimo de vaidade e quer impressionar, eu repito: não use correntes curtas.

A questão não é a corrente – também não importa se nela há um pingente, seja lá do que ele for. Menos ainda se é de ouro, prata ou uma mistura dos dois. O caso está em ser curta. Basta se olhar no espelho e notar que a estrutura física do tórax dos homens não é, por natureza, privilegiada e por isso não está na classificação de “própria para uso de correntes curtas”. Pelo contrário: o código do “não seja ridículo” diz que é preferível gravatas-borboleta a correntes curtas. Veja bem, não sou eu quem diz, é o código! E contra códigos, não há argumentos.

E para aqueles que possuem um mínimo de vaidade é ainda pior, porque deveriam saber que correntes curtas evidenciam o pescoço e, no caso dos homens, a glote. E se tem coisa feia em corpo de homem é a glote: uma saliência esquisita, sem muitos propósitos, que denunciam para a gilete o lugar perfeito para cortes involuntários e irritantes. Isso sem falar na largura dos ombros, que fazem daquele fio brilhante – e curto! – ainda mais desproporcional e fora de lugar.

Em último lugar, porém não menos repugnante, é o homem que, provido de uma pelugem mais intensificada na região do peito, usa a bendita corrente curta. Olhar uma cena dessa é ter vontade de mandar o cara pro mesmo lugar de onde ele veio. Os pontos de luz se emaranham no volume dos pelos e fica aquela coisa fofa brincando de esconde-esconde, imitando às vezes uma árvore de natal. E se tem pingente, então… Ah, o pingente!, que dança, mergulha e se deita naquela cama preta, ruiva, loira… Sóoooo Jesus!

Não adianta, porque não há justificativa para essa quebra de decoro. E mesmo que você seja forte, bonitão, pele lisinha, bronzeada, moreno jambo… Não, não estrague o que a natureza lhe deu, não há exceções.

Por isso eu digo, repito e triplico: nada de correntes curtas.

 

 

** Publicado originalmente no blog literário Vida a Sete Chaves **

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