Conversa de gente grande

Ilustração: Lari Tschernev

 

Não é justo!, pensava Juca enquanto seu pai fala sem parar o discurso chato de sempre. Não era ele quem deveria levar bronca, não era ele quem deveria ficar de castigo, não era ele o culpado de nada disso. Era o Fininho, baita moleque chato, que zoava com todo mundo e nunca ouviu um pio de ninguém, nem mesmo uma única chamada da professora. Conseguia sempre jogar a culpa para os outros, fazia por onde e sempre saia ileso, e como vítima!, o que era ainda pior. Era líder da turma do fundão e achava que por isso podia fazer tudo o que quisesse.  Na real, podia mesmo, os colegas sempre o ajudavam a acobertar as palhaçadas; fosse menino ou menina, lá ia ele encher a paciência. Dava pena dos alunos novos, que chegavam no meio do ano e de imediato viravam alvo de piadinha pro resto do semestre. E o danado era inteligente, sabia a matéria, nem estudava e só tirava nota oito. Nas aulas, vivia provocando, cada dia era um e teve dia que até chegou a fingir ser ele o atingido. Mas ele enganava apenas os mais velhos; os colegas sabiam muito bem quem era Fininho. Por isso foi mais que merecido o soco que Juca deu na cara dele. Todos aplaudiram, Fininho saiu correndo aos prantos e Juca foi nomeado um herói. E só seu pai não entendia isso e continuava falando, falando, falando…

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