Crônica ” Uma falsa esperança”, em Vida a sete Chaves

 

Há um ano atrás eu escrevi sobre a Revolução Constitucionalista de 32 e trouxe um resumo muito do sem-vergonha sobre o que foi e o que significou para São Paulo – justificando, assim, o feriado estadual. E há um ano parecia que toda essa luta havia ficado para trás, sendo lembrado apenas como parte da história – história essa que nem mesmo o próprio paulista sabe bem qual é. Fico triste de chegar nessa constatação, já que há muito ainda que justificaria uma boa revolução, mas o povo…

Opa. Peraí, porque tem algo diferente pra ser contado: é que dentro desse um ano tivemos uma grata surpresa, ocorrida há menos de dois meses, quando uma parte considerável da população da maior cidade do Brasil resolveu calçar as tamancas e fazer barulho por aí, pedindo mudanças. Gritavam, pulavam, xingavam – e quebravam também! -, assim como fizeram há mais de oitenta anos, exigindo o cumprimento de deveres e a verdadeira aplicação dos direitos. Lindo de ver! E a coisa pegou, porque se espalhou por todo o país, levando mais de um milhão de pessoas às ruas.

Até então era possível pensar que o brasileiro não se importava com sua nação, que estava acomodado, vencido por uma força opressora invisível chamada capital. Parecia que os cidadãos haviam desistido de lutar, invalidando o que os nossos antepassados (pais, avós, tios…) fizeram pela cidade e por um futuro melhor para as gerações seguintes. Mas não!, a multidão se encarregou de dar o recado, de dizer que o povo acordou, que cutucaram o gigante chamado “Saco-cheio” que vive em cada um de nós, forçando o inimigo – travestido de Governo – a recuar em suas tiranias. E então deixamos as redes sociais de lado, paramos de blablablas e mimimis, batemos no peito para cantar o hino nacional e conquistamos a primeira vitória! Diferentemente do que aconteceu em 32, São Paulo venceu e venceu para os paulistanos e também para todos que a cidade um dia acolheu.

Havia chegado a hora, a nossa hora. Começamos a exigir educação, saúde, segurança, honestidade, transparência e a exigir melhorias aqui e ali. E aí… Ué acabou? Já? E toda aquela gana, aquela sede por mudanças justas, toda aquela multidão em uníssono? Será que houve, então, a verdadeira vitória ou apenas caímos no engodo das famosas ações paleativas?

Temo pensar muito e acabar chegando à conclusão que tudo não passou de fogo de palha, que apenas tenhamos nos distraído com os comerciais de uma partida de futebol, e mais: que depois que o intervalo acabar, voltemos ao estado vegetativo de sempre. Parece é que os tais homens do poder fingiram ouvir, fingiram mudar e então nós fingimos democraria.

Fui inocente em acreditar que meus netos estudariam sobre a revolução ocorrida em 2013, ou do Vinagre, ou dos R$0,20, seja lá qual o nome seria dado ao movimento. Senti no coração uma alegria pulsante, desejosa de ir além. Hoje imagino que tudo não passará de uma explosão que não levanta poeira. E então nós voltamos para a frente da tevê achando que tínhamos cumprido com a nossa parcela de cidadão. Pensei que havíamos nos contagiado com o espírito de 32, mas acho que pensei demais.

E um ano depois, todo o significado do levante paulista foi enterrado, perdido, trancado a sete chaves para não ser achado. No fundo, tudo continuou, sim!, como estava antes.

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