Conto “Um amigo para sempre”, em Mix Cultural

Foto: Beatriz Takata

Foto: Beatriz Takata

 

 

Um dia, tudo aquilo de que Alice se lembrava, se apagou. Os aniversários – dela e das crianças -, as muitas viagens, os amigos mais queridos, a escola da infância. Sentia solidão e, às vezes, dor, e ainda que dormisse por um longo tempo, nada melhorava e nenhuma imagem vinha na sua mente.

Apenas uma.

E Alice não conseguia entender o motivo de ser essa a imagem a primeira a lhe surgir, a única memória viva que se achegava até ela: um dinossauro que, sentado em frente à cama de lençol rosa, sorria. O que mais lhe intrigava era que o tal dinossauro não era de pelúcia, nem de plástico, gesso ou metal. Era de verdade, pele, escama, carne e osso.

E sorria.

E o sorriso dele era como de um amigo de longa data, que vinha apenas para fazer companhia. E Alice sabia que ele não a deixaria mais só, que se transformara na única memória latente de seus sonhos e que voltava, sempre voltava.

E falou.

O dinossauro contou a ela, em um sonho, uma história bonita sobre uma família, pai, mãe, filhos. E a cada visita, uma história, diferente, mas das mesmas pessoas, cada noite uma parte de uma grande história que entretinha os sonhos de Alice, que a enchia de alegria.

O dia que Alice contou uma dessas histórias do dinossauro para as duas jovens moças e o senhor que lhe visitavam toda semana, a esperança voltou para aquela família.

Coluna Verso&Foco

Texto publicado originalmente no site Mix Cultural.

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