Conto “Só sei que foi assim”, em Coletivo Claraboia

Então eu estava tomando banho, era depois do almoço, quando a tampa do ralo pulou em cima de mim, bateu no meu cotovelo e depois no vidro. Começou a subir uma água esquisita de lá e quando abaixei para descobrir o que estava acontecendo, vi uma pata gordinha, verde, cheia de quadrados e unhas grandes bem no meio da espuma. Depois saiu do ralo um corpo verde, gordinho, quadriculado… de um jacaré. Eu gritei, claro!, saí correndo de cabelo molhado, toalha enrolada, e o que me salvou foi o tênis do “The Flash” que eu estava usando, todo vermelho e dourado que era muito, mas muito rápido mesmo. Eu corri tanto que cheguei lá na Índia e só consegui parar porque o cadarço desamarrou e eu abaixei pra dar o laço de novo. Aí percebi que a minha barriga estava roncando de fome de novo, porque já era de noite, e como tinha um monte de vaca pra todo lado, fiquei feliz que comeria um churrasco fresquinho. Parei numa barraquinha cheia de pisca-pisca verde e amarelo, que estava escrito cachorro-quente, e pedi um completo, que vinha até com strogonoff e lasanha. Uma delícia. Eu estava já na última mordida quando passou um cachorro com um cotoquinho de rabo e um curativo enorme nas costas e quando olhei de novo pro meu cachorro-quente, vi que a salsicha era bem peluda, do mesmo pelo que o cachorrinho. Não tinha o que fazer, então eu arranquei a salsicha do meu pão e costurei de novo no rabo do bicho, coitadinho, ele ia precisar mais do que eu. Tirei o curativo das costas e coloquei o purê de batata, que secou e criou pelo na mesma hora. Ele saiu todo feliz, voando, e eu fui atrás e consegui montar nele e ficamos passeando até o sol aparecer de novo. Só que o bicho começou a secar, a secar, até desaparecer, e eu comecei a cair, mas ainda bem que eu estava com a vara de pescar já com linha e lancei pra torre de waffles mais próxima, enrosquei em um pedaço de morango e fui puxando até alcançar o topo. Mas a cobertura era movediça e grudou no meu pé, puxou minhas pernas pra baixo e me engoliu inteiro e eu caí dentro do porta-mala de um taxi, tinha uma maleta pequena, azul bem escuro que eu usei como travesseiro pra tirar um cochilo. Quando o motorista passou por um buraco eu acordei, mas acordei de verdade!

Viu, mãe, que sonho maluco que eu tive?

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