Crônica “Sobre o que está acontecendo no Brasil”, em Vida a Sete Chaves

Estamos novamente diante de uma crise.

Mas, diferente das outras tantas vezes em que esse fato aconteceu, não vejo necessidade de relatar os detalhes da lambança por um único motivo: não adianta. É, não adianta falar, falar e falar, isso todo mundo faz e, com sinceridade, para quê serve? Para nada. Porque se servisse não estaria eu aqui sentada diante de um computador, escrevendo, mas estaria de novo na rua, gritando, marchando, exigindo mudança assim como fiz por vinte centavos – que não era só por “vinte centavos”, mas era.

Porque agora, mais do que nunca, é a hora de nos unirmos em coro vivo para acabar com a bagunça que estão fazendo em nosso país. Pegou o detalhe do “nosso”? Ninguém nunca repara nesse pronome possessivo, ou será que ninguém se importa? O meu coração acredita mais na primeira possibilidade, mas minha razão se decide pela segunda por ver tantas outras maracutaias diárias que são escondidas e dissimuladas pelas mesmas pessoas que brigaram lá atrás, por ver que as mesmas bocas que gritaram por justiça e pelo fim da corrupção ensinam os próprios filhos a corromperem não só seus pares como seus princípios também.

Hoje em dia o provérbio que diz que “a esperança é a última que morre” não vale mais, pois a pobre da esperança morreu faz tempo de morte matada e encomendada pela nossa hipocrisia, e é uma pena! A esperança do brasileiro costumava entrar na frente dos ideais e puxá-los para frente, para cima!, não deixava que desistissem. Agora a descrença é o carro-chefe da nossa caminhada, é o boi que entrou na frente da carroça para atravancar a evolução, é a exigência do fruto sem que a semente tenha germinado.

Mas ao menos há uma chance salvação: nosso país é uma criança ainda, que erra, que mente, que brinca de ser gente grande. Temos apenas quinhentos anos, e em vista do que grandes potências eram quando tinham a nossa idade, temos um restinho de esperança que definha jogada um canto da nação. De perto, ninguém é “todo mundo” e isso abre um caminho à nossa frente. À nossa frente.

** Publicado em 22/09/13,  originalmente em Vida a Sete Chaves. Acesse outros posts clicando aqui **

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