Crônica “Tem que decidir”, em Vida a Sete Chaves

Quatro anos já vão se passando e lá vamos nós ter os ouvidos entupidos de falatórios e promessas. Sim, ano que vem teremos novas eleições e… e… e que não há nada de novo a ser dito, porque todos os que vieram antes já disseram tudo e a criatividade desse povo anda bem em baixa, vide os novatos que estão chegando e que mantém os mesmos discursos dos experientes.

Uns prometem mais, outros prometem menos e, cada um a seu modo, ficamos sempre perdidos. O sistema, aquele mesmo que lavou nosso cérebro, tira a população de seu ópio televisivo para dar espaço a um verdadeiro show de horrores: do mais engomado ao mais “povão”, tem candidato pra todo gosto – e não gosto também.

Mas – e aqui registro um mas significativo – cada dia que passa eu tenho me apegado menos a grupos e mais a pessoas e atitudes. Isso não resolve muita coisa, na verdade, mas já impede que meus olhos e ouvidos recebam informações só de uma parte. E em vista do que um dia foi só MDB e Arena, e que meu querido Chico me perdoe, é utópico crer hoje em dia em princípios e conceitos que sejam proclamados por partidos políticos, sejam eles de esquerda, direita, retranca, avanço ou retaguarda. Da mesma forma que já não existe mais um grupo que realmente se dedique ao bem estar coletivo da classe trabalhadora, também não existe mais ninguém que proclame uma ação socialista democrática no Brasil.

E se tem algo que me irrita profundamente é escutar “conversê” das pessoas dizendo que o X-ista daqui é blablabla, que o X-ista dali é mimimi. Então eu me pergunto: porque, em vez de ficar vangloriando um conceito, não dar crédito às mãos que trabalharam? Mas a conclusão é óbvia e logo eu reparo que, mais uma vez, cada um olha apenas para o seu próprio umbigo e prefere ter razão a ser feliz. Tudo muito parecido com o futebol, onde um torcedor não pode admitir que o jogador do outro time fez um passe melhor só porque será rechaçado pelos colegas.

Na minha humilde opinião, tudo patifaria. E das grossas. E se o leitor me permitir ser retrógrada e dar um brado contra à “evolução política”, bem que eu preferia que se decretasse, pela terceira vez, um AI para acabar com o pluripartidarismo. Às favas com PSB, PTB, PP, PT, PSDB, PMDB, PV, XYZ! Ou se é a favor, ou se é contra. Essa de ficar em cima do muro só ferrou com o sistema político, enfraqueceu o país e fez do povo seu bobo da corte.

Então chega, pô! Tem que decidir logo: ou fode ou sai de cima!

** Crônica publicada em 28/09/2014, originalmente em Vida a Sete Chaves. Acesse mais posts clicando aqui **

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