#VomitoMuitoTudoIsso

Que o mundo é machista, nós já nos demos conta. E então vemos muitas pessoas que brigam para mudar, e fazem e acontecem contra uma série de posturas e princípios que nos mantém nessa condição. Mas o pior não está aí.

A grande questão, à qual me deparo quase todos os dias ao observar meus pares, é: até quando vamos tomar as mesmas atitudes, acreditar no mesmo “certo-errado”, nos guiar pelos mesmos conceitos machistas?

E quando eu falo de machismo, não falo em feminismo, na luta da força da mulher, nada – e longe – disso! Falo do foco na diferenciação dos sexos, da não-igualdade em detrimento de uma moral falida; falo de pensamentos guiados pelo “ele-pode-porque-é-homem” ou pelo “é-feio-pra-uma-mulher”, ou ainda pelo “homem-tem-instinto” ou “mulher-que-se-dá-ao-respeito”.

Na minha cabeça surgem as perguntas: e porque mulher não pode?, porque não é feio pro homem também?, e o instinto da mulher? e o respeito aos homens? Para mim, é triste sentir que cada vez mais estamos tendenciosos à diferenciação, aos benefícios individuais que delimitarão a sociedade em apenas regras e pré-conceitos. E mais uma vez tentaremos tapar o sol com a peneira, e tudo ficará “muito-bem-obrigado”.

NÃO!

Não ficará nada bem! Agindo assim estamos destruindo nossa chance de um futuro melhor. Hoje somos obrigados a nos privar de nossa liberdade pelo medo de apanhar na rua, pelo medo de assaltos, estupros, acidentes. Delimitamos o nosso direito de ir e vir porque aceitamos que o mundo é assim. Assim como? Assim, meio machista… meio corrupto demais… meio preconceituoso… meio poluído, mesmo… meio perdido, já… meio sem-jeito e ponto.

E achando que o mundo é meio sem-jeito é que a gente desiste do coletivo e passa a viver olhando para o próprio umbigo, e aí é que nada muda mesmo!, que só piora, porque nenhuma atitude será tomada no seu profundo para mudar algo, viveremos de cobrir um santo descobrindo outro, cortando os galhos de uma árvore podre por dentro com esperanças de que ela ainda dê frutos. Viveremos de paliativos que virarão definitivos e que, no final da história, só darão mais forma para o problema.

Acha exagero? Então pense mais uma vez. E repense. Repense sobre os vagões “só para mulheres”, que apesar de “proteger” as moças direitas, inconscientemente afirmam que o instinto masculino não pode ser controlado, que é assim e ponto. Repense no motivo pelo qual a mulher não pode usar minissaia, miniblusa, decote pela mesma razão dos vagões. Repense no rótulo de “mãe-é-mãe” e questione porque não existe o rótulo de “pai-é-pai”. Repense e questione o motivo pelo qual no dia da mulher todos parabenizam suas queridas por serem capazes de cuidar de tudo – casa, filhos, mercado, trabalho, marido, familia… – e no dia dos homens nada disso vem à tona. E repense em todas as outras situações bizarras que caracterizam a mulher como sexo frágil, homem como “touro-reprodutor-grosso-mulherengo”. Será mesmo que não existe o contrário?

O nosso mundo é machista, é preconceituoso também, é passivo e reativo, ainda por cima. Mas não é por isso que vou ficar quieta, aceitando aquilo que me enfiam goela abaixo no argumento “come-que-tá-gostoso”, “come-que-é-bom-pra-saúde”.

Chega! 

Eu vomito tudo isso, porque eu sei que tá tudo estragado.

 

 

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