Crônica “De perder e ganhar em segundo lugar”, em Vida a Sete Chaves

Dizem que ganhar o segundo lugar é, na verdade, perder para o primeiro e que melhor o terceiro, pois ao menos ganhou do quarto.

Eu já prefiro o segundo, quiçá até mesmo do que o primeiro e não, não é ideologia barata, por mais que pareça, e também não é desdém, uma vez que almejo sempre alcançar resultados cada vez melhores, seja lá o que eu estiver fazendo.

Mas não, não acho que o “quase lá” seja motivo para um rio de reclamações, críticas e autoflagelação. Não. Acho isso de um espírito negativo sem tamanho, desnecessário, que só faz ficar ruim o que estava bom. Tudo isso pelo nosso péssimo hábito de alta competitividade: “porque não fui o melhor isso, porque não fui o melhor aquilo“, tudo mi-mi-mi.

Ninguém pensa que o segundo lugar é quase o primeiro, que faltou pouco para “chegar lá” e que só mais um pouco de treino e tudo estará como se deseja. Também existe aqui o tal “espírito de competição” criticado logo acima, mas a abordagem é diferente, uma vez que a superação é sobre si mesmo, e não sobre os outros. E enquanto continuar assim, na minha visão, tá valendo.

É triste ver a capacidade que as pessoas desenvolvem em anular todo o esforço aplicado, toda a luta até então simplesmente por uma diferença ínfima de patamar. E daí que o prêmio maior é para o primeiro? E daí que os louros e a fama vão escoar antes de chegar próximo do segundo? Afinal, pelo que se luta? – Se alguém respondeu status, OK, eu paro por aqui e não precisam ler o restante; mas se responderam qualquer outra coisa…

Saibam que a vida, e não só ela mas toda e qualquer coisa que nela se conquista, é efêmera, passa, morre, estraga, desaparece, acaba. E o que fica são as alegrias que vivemos, as amizades que fazemos, os sorrisos que distribuímos por aqui. Que seja piegas, mas é verdade: o rico fica pobre, o bonito fica feio, o legal fica chato, e assim por diante.

Então a saída é mudar o jeito de entender a vida. Ou seja, alcançar o segundo lugar, não significa que se perdeu para o primeiro, significa que se foi o segundo melhor, significa que o caminho trilhado até aquele momento estava certo, que falta pouco – muito pouco! Deveria ser um incentivo estar na segunda melhor classificação, e não um desestímulo de ter pedido para o primeiro.

Tudo o que se planta, dá. E o ditado não falha.

Loucura, já dizia o gênio, é querer resultados diferentes quando se está fazendo tudo igual.

**Publicado em 27/10/13 originalmente em Vida a Sete Chaves. Acesse outros posts clicando aqui **

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