Crônica “Da incrível arte de se ter um gato”, em Vida a Sete Chaves

Não é para qualquer um.

Porque antes de mais nada é preciso muito amor – e amor, hoje em dia, é um artigo raro.

Depois, um bocado de disposição, paciência e dengo. Aliás, muito dengo. Bem, na verdade, bota dengo nisso. Gatos requerem atenção e é por esse motivo que subirão na sua cabeça, lamberão sua orelha, e brincarão com seus pertences, como brincos, correntes e pulseiras. Eles passearão pela casa, pelo computador, pela cama, guarda-roupa como um grande explorador fazia. Mas serão companheiros, sobretudo: esperarão ansiosos na frente da porta até que você volte, acompanharão as noites em claro, os programas de índio aos finais de semana, as gripes intermináveis.

Por isso é que não se pode ficar bravo quando nos arranharem, quando usarem os cadarços de nossos tênis como brinquedinhos, quando ocuparem o melhor cantinho do sofá enquanto se lambem, ou quando afiarem suas unhas no lugar errado. Porque tudo isso é apenas um modo de dizer que estão cuidando da gente. E todas as marcas de arranhões que ficarão para sempre nos lembrarão não só da dor, mas também das ronronadas ao pé do ouvido no meio da noite, dos amassa-pão em nossa barriga, das cochiladas em nosso colo.

Ah, e saiba: a casa não será mais sua.

** Publicado em 16/11/13 originalmente em Vida a Sete Chaves. Acesse mais posts clicando aqui **

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