Crônica “De boca vazia”, em Vida a Sete Chaves

Essa semana eu fiquei indignada.

E poderia ter sido pelas palhaçadas constantes que tem acontecido dentro da política, mas não foi. Poderia ter sido pelas tragédias provocadas nos acidentes que mataram tantas pessoas, mas não foi. É por coisa muito mais simples. Mas simples só a primeira vista.

Indignei-me por que li algo que chamaram erroneamente de crítica num jornal de grande – e massiva – circulação. E se digo que “chamaram” é porque aquele texto, absolutamente parcial e infundado, não pode ser considerado crítica. Explicando: Josimar Melo publicou na última quarta-feira, dia 27, um texto sobre a “dieta” vegana e tirou suas conclusões.

Os erros já começam por aí: primeiro que veganismo não é uma dieta, e segundo que em crítica literária não se tira conclusões. E para piorar o moço se deu o direito de contrariar a história e a biologia dizendo que o homem é carnívoro por essência e que a “limitada” seleção de alimentos empobrece o paladar e a cozinha.

Aqui nasceu minha indignação. E não é por ele ter falado besteira, não. Minha indignação se deu quando pensei: como é que um veículo que tem como objetivo transmitir informação ao povo deixa passar uma falha imensa de conteúdo, lógica e noção como essa? Não é possível que a preocupação com a qualidade do que se repassa ao público não exista mais e aí eu me pergunto se isso ainda seria um resquício da liberdade de expressão advinda com o fim do regime ditatorial em 1984 – liberdade essa que, mediante o exemplo citado acima, eu chamaria de libertinagem, por que o conceito fica mais adequado.

Então começo a ver como as peças se encaixam perfeitamente: informação errada, povo desinformado; povo desinformado, governo corrupto; governo corrupto, país de ninguém. Ah, agora tudo faz sentido e posso entender o motivo pelo qual tantas cabeças estão, ao mesmo tempo, cheias e vazias: estão cheias de coisa errada e vazias do que realmente importa.

Tá certo, acho que o peixe fora d’água sou eu mesmo, que penso demais numa geração em que se quer que pense de menos.

** Publicado em 30/11/13 originalmente em Vida a Sete Chaves. Acesse outros posts clicando aqui **

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