Crônica “Dos saudosismos de agora”

Acho que nunca encontrei alguém que, em verdade, não vivesse com um pezinho no passado. Por mais “olho no futuro” que fosse a pessoa, sempre havia o discurso de “quando eu era…” ou “daquela vez em que…”, que aparecia na conversa sob o sentimento de saudade doída.

Uma coisa, claro é viver como se andasse de costas, tentando a todo custo reviver aqueles momentos que ficaram para trás, tentando reanimar situações. Outra coisa é ter essas experiências no nível do aprendizado, referência para próximos planos e atividades. Mas ainda assim o saudosismo nos pertence, gruda e às vezes não larga mais.

E como a questão numeral do tempo tem peso nessa brincadeira… “Nossa, já faz x tempo que…” e tantas outras expressões que acompanham essas memórias quando elas aparecem que tudo aparenta ser tão mais antigo do que realmente é. Até chegamos a nos sentir perfeitos maomés!, e inconscientemente encurvamos nosso espírito, mancamos as pernas da alma e sentimos o famoso “peso da idade”.

Para quê? Não sei. Talvez seja essa uma forma de nos sentirmos mais adultos, mais donos da verdade. Pena que que idade não signifique sabedoria por consequência. E bobos somos nós de querer crescer mais rápido, de querer ser tão responsável, quando bom mesmo era quando nada nos pertencia, mas também nada nos prendia.

Bons tempos esses…

** Publicado em 11/01/14 originalmente em Vida a Sete Chaves. Acesse outros posts clicando aqui **

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