Crônica “E faça-se a luz!”, em Vida a Sete Chaves

Ontem acabou a luz aqui em casa.

Assim, coisa boba, do nada, nem estava chovendo naquela hora. Enquanto eu trabalhava, puf!, as luzes se apagaram, a internet foi pro saco e tudo o que eu havia previsto para fazer naquela tarde já era. Num exagero bem típico, minha vida acabou ali!, meus planos, meus objetivos, meus propósitos… tudo! Tudo se desfez na escuridão.

Eu estava mesmo empolgada com a programação, o dia estava rendendo super bem, já havia participado de duas reuniões e… nossa! Agradeço à Nossa Senhora das Internetes Conectadas por esperar o segundo call terminar para, só então, levar a luz do meu viver.

Mas… sabe o que é mais triste nisso tudo?

Não é ficar sem trabalhar, ou de ter os planos quebrados, de não finalizar o que comecei, ou ainda de me sentir frustrada por essas e outras coisas.

O pior é ficar sem luz.

Mas não a luz elétrica… e sim a luz das ideias, da imaginação, da sagacidade em aproveitar o momento que está sendo oferecido pela vida, de curtir como criança na chuva, como fim de festa quando tocam as músicas de infância e todos se divertem pelo saudosismo barato que nos invade.

Eu deveria ter jogado baralho, mesmo que sozinha; devia ter brincado de luz e sombra com uma vela, deveria ter lido um livro só de imagens, deveria ter ignorado o celular em vez de tentar resolver as coisas por ele. Dava pra jogar bola na laje, para cantar e dançar sem métricas, dava para passear com o cachorro na rua, brincar com o gato na varanda…

Quem sabe ontem a vida não me ensinou a ser mais simples, desligada do mundo e conectada na própria vida.

Quem sabe?

** Publicado em 15/02/14 originalmente em Vida a Sete Chaves. Acesse outros posts clicando aqui **

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