Crônica “Dicas para como escrever mal”, em Vida a Sete Chaves

Escrever mal não é tão fácil quanto se aparenta ser. É preciso muita disposição para conseguir, uma vez que são tantas as regras a serem quebradas, que a primeira dificuldade é escolher por onde começar.

Mas não se desespere!, posso lhe dar algumas sugestões e a primeira é: comece pelo comum, e assim você garante que erros básicos não passem despercebidos. Ou seja: comece pela ortografia.

Cuide para trocar gês e jotas, cês, esses e zês, esqueça os acentos 0 principalmente o circunflexo. Aproveite o gancho dos detalhes e capriche na pontuação. Em suma, deixe de lado ponto-e-vírgula, parêntese, aspa e travessão, finja que eles não existem!, que uma hora isso se tornará natural para você. Use a vírgula sem medo, bote onde quiser e tire de onde quiser, dê liberdade de expressão a ela; achou que vai?, bota lá; achou que não vai?, tira de lá.

Em seguida, dê especial atenção aos verbos. Conjugue-os sem se certificar do tempo verbal em que deveriam estar, ignore particípios e imperativos, calibre nos erros de concordância verbal e deixe de lado toda e qualquer preposição. Feito isso, passe para o tesouro do texto mal-escrito: a concordância nominal. A dica mais preciosa que há para ser dada é: gênero, número e grau devem ser trocados sempre que possível, aplicados por vezes de maneira bem grosseira.

Por último, como a cereja do bolo, escreva sem se preocupar com o sentido da frase; injete informações sem medo de ser feliz, engate um assunto no outro e não lembre de finalizá-los. Crie uma linha de raciocínio e vá desfazendo-a aos poucos; figuras de linguagem poderão facilitar a sua vida. Fale muito, mas não fale nada, esse é o segredo.

Seguindo essas valiosas dicas não há como escrever um bom texto, coeso e interessantes. E se ainda assim estiver com dificuldades, não hesite em apelar: inversa a ordem dos elementos das frases – sujeito, verbo, objeto e adjuntos. Então tenha certeza absoluta: um erro sempre sairá por ali.

** Publicado originalmente em Vida a Sete Chaves.

Acesse AQUI outras crônicas. **

Anúncios