Crônica “Caldo grosso”, em Vida a Sete Chaves

Há tempos atrás, lá na empresa onde trabalho, fizeram um concurso em referência ao dia da poesia e eu, claro, participei.

Participei mais pela crença particular que tenho na força do “engrossando o caldo é que funciona” do que pelo concurso em si. E porque mesmo estando há anos trabalhando por lá, muita gente não fazia a menor ideia da minha profissão paralela e eu estava curiosa para saber como seria a reação deles ao descobrirem que alguém que trabalhava tão seriamente dentro do universo de TI poderia ter sentimentos para escrever poesia. E para minha tristeza, foi isso mesmo que aconteceu…

Quando as cinco poesias pré-selecionadas foram para o site para votação, uma chuva de “nooooossa, você escreve poesia??” caiu na minha caixa de e-mails. Como se eu fosse quase uma Camões, uma E.T., como se fosse aberração da natureza escrever poesia. Exageros à parte, foi triste notar o quanto as pessoas se afastaram do mundo poético, como isso deixou de fazer parte do dia-a-dia de cada um deles. E digo isso me referindo a como as pessoas perderam sua capacidade natural da visão poética da vida, de como perderam a beleza intrínseca das coisas como elas são, ao naturalmente lindo e maravilhoso; então perde-se a naturalidade em detrimento da comodidade e assim perde-se também a beleza da vida.

Aí tudo se explica: o motivo pelo qual as pessoas estão secas, solitárias, invejosas e egoístas.

Não sou nenhuma expert em poesia, não estudei os poetas românticos, pós-renascentistas, modernos ou contemporâneos com nenhum afinco que me permitisse justificar essas palavras. Mas… sabe?, às vezes acho que não é só por aí. Conhecimento é essencial, mas não serve de nada sem a ação. E eu prefiro fazer, e aprender fazendo, e errar fazendo, e fazer fazendo. E desejo mais pessoas assim para o mundo, que experimentem, que vivam a vida poeticamente. Conheço algumas várias e é por isso que continuo!

Eu tô engrossando o caldo, porque acredito que que lá na frente ele matará a fome de todo mundo.

** Publicado originalmente em Vida a Sete Chaves.

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