Crônica “…mais de mil palhaços no salão”, em Vida a Sete Chaves

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… alalaô ooô ooô…

Enfim, é carnaval!

A alegria bailando pelas ruas, as fantasias invadindo a cidade cinza, as músicas soando forte nos corações durante o bater dos bumbos e como é lindo ver o bloco passar, arrastando a multidão!

Mas não.

Acompanhando o desfile à noite, esgueirando pelos cantos das ruas no centro da cidade para alcançar o começo do cortejo, é que se vê muito mais do que alegorias. Entre confetes e serpentinas, garrafas com cola nas mãos de quem deveria somente em brincar de bola. Dançando desvairados corpos seminus, exibindo descompassadamente uma vitrine de marcas de agulhas, facas e cigarros apagados na pele. A cada passo uma novidade para os pés de shopping center, um susto para olhos de seriados americanos, um medo para corações de Dolce Gabbana.

… mas que calor ooô ooô…

Não há, então, alegria que permaneça viva ao final da festança… Ao redor estão olhares desesperados revelando a fragilidade de quem sonha, ao menos por um dia – porque não no carnaval? – tornar-se Colombina e esquecer o destino de ser sempre apenas – e só mais um – pobre Pierrot.

Mas uma constatação sorrateira nasce na cabeça e desce até o bolso: “ufa… meu celular está aqui”.

cachaça não é água não…

          Opa, mudou a música!

Tem mais um gole?

Olha aquela gata…

Porque hoje é carnaval…!, e estamos aqui para nos divertir… não é?

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