As três irmãs: Pó de feijão

ATI 7

Das memórias que ficaram, teve até tempo de fartura na vida, mas não como aquelas moças de família boa, que eram carnudas, roliças e tinham comida colorida na mesa, tipo mato e raiz fina, coisa que na terra seca do sertão não dá. Mesa posta para elas, as irmãs – e só para as três – era feijão de caldo fino com macaxeira cozida. Riqueza.

Mas isso tudo foi antes das brigas.

Então ficou mesmo só na lembrança, a colher ficava dentro da gaveta, empoeirada de terra vermelha, paradinha. Não precisava mais, com a mão fazia um punhado de farelo, feijão só pra dar gosto, os pedaços que viraram pó. Pó de feijão era o que tinha pras meninas, e só pras três: mãe e pai não tinham vez, nem água, nem feijão.

No olhar que mirava o céu, a gota que escorria sozinha tinha gosto de sal, arranhava a pele seca, seca feito terra rachada no sol de meio dia. A gota lembrava a moleza do feijão nos dias bons. Nas mãos só mesmo o pó

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