Crônica “#ahtá”, em Vida a Sete Chaves

Dia 15 de março está chegando e eu me preocupo.

 

Com o movimeto anti-PT? Não…

Com o promissor quebra-quebra na Av Paulista?  Não…

Com a revolução popular? Definitivamente, não…

 

Minha preocupação vai além.

Costumo pensar que para fazer algo acontecer é preciso saber como e porquê e aqui é que está a grande questão, o ponto fundamental para o meu medo: não há conhecimento suficiente para o “povo”. Partiu-se do principio que “eu não quero X”, juntou-se uma galerinha que pensa igual e bora pra rua pra fazer pressão!

 

É, tenho pena dos que pensam assim… Pena dos que dizem que sair às ruas resolverá o problema da corrupção, que melhorará políticas públicas, que diminuirá o preço disso ou daquilo. Tenho pena porque tenho a consciência de que não é assim que a banda toca, de que há muito mais coisas envolvidas e, ainda pior, que isso que hoje vemos e condenamos é apenas a ponta do iceberg.

 

“Fora Dilma!!”

Então tá, vamos depor a presidente! Tá uma bosta mesmo, o tiro saiu pela culatra, erro assumido. Mas alguém sabe como fazer isso? Ou estão achando que uma manifestação civil vai resolver? Estão mesmo achando que o povo tem esse poder no grito? Engana-se quem pensa que Collor foi destituído simplesmente por conta das manifestações de 89.

 

Espanta-me saber que, numa era globalizada, em que uma simples pesquisa de Google resolve (quase) tudo, a grande maioria não saiba o que é preciso para destituir um presidente. No caso do Brasil, a coisa é mas delicada, pois temos que levar em consideração as influências políticas, midiáticas e ainda o poder por baixo dos panos. Burocraticamente falando, para depor um presidente a coisa é mais embaixo: é necessário que haja uma CPI aberta, com investigações, denúncias, coisa e tal e tal e coisa.

 

Agora eu pergunto: alguém aqui sabe como se abre essa tal CPI? Quem abre? Como funciona?

 

Aí me dá vontade de comparecer ao movimento do dia 15 para fazer essas perguntas aos provisionados milhões de participantes só para ter a certeza de que a maioria dos que lá estarão não faz a menor puta ideia do que seja ou para que serve. Porque se soubesse, juro: essa manifestação seria realizada em frente à Assembleia Legislativa de todos os Estados, cercando cada deputado que dali entrasse ou saisse a fim de que assinassem o requerimento de instauração de CPI.

 

Mas não… nem ao menos se sabe como agir, nem ao menos se busca aprender para exigir aquilo que se chama de direito. Sabemos apenas lutar por aquilo que pensamos querer: justiça! Somos filhos que fugirão quando a luta real chegar, porque fomos acostumados a aceitar o que se tem por puro comodismo, fomos ensinados a não questionar e a só reclamar. Somos filhos que tememos, sim!, a própria morte e que não estamos lá muito preocupados com a terra (ou melhor, com a água).

 

A declaração de insatisfação é absolutamente válida e digo ser até mesmo o primeiro passo para a real mudança. Mas ele não pode ser o único passo, ou não sairemos nunca do lugar…

A certeza que tenho é que a acomodação e a reclamação perdurarão pela toda a história desse país, assim minha preocupação maior está em ver que milhões de reclamantes irão às ruas dia 15 sem nem mesmo ter a consciência de que só isso, no fundo, no fundo, não vale de nada.

 

E agora, terra adorada?

Já sei! Vamos todos cantar o hino nacional às 14h, por todo o Brasil, e assim a presidente cairá!

 

#ahtá

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