Crônica “Da observação estática da vida”, em Vida a Sete Chaves

Viver a vida em câmera lenta é desafiador.

Quando estamos no olho do furacão, parece impossível ser capaz de sair dele, respirar fundo e olhar ao redor com olhos de observar. Tudo parece enredado de uma forma a não nos permitir outra escolha senão continuar, continuar e continuar.

E pior: não só o tal furacão nos consome como a vida ao redor nos leva cada vez mais para dentro, envolve o passado, presente e futuro, envolve o pensamento, as ações, as pessoas ao redor parecem mesmo que não percebem a ventania e então a gente continua.

Parece até música de Chico Buarque, que se repete ao infinito e além.

Mas às vezes a gente passa por umas brincadeirinhas da própria vida, uma pegadinha que ou a gente usa daquela malandragem nata do ser humano para achar a saída (ou ainda que seja um mero atalho) para o país das maravilhas: saímos da maluquice para apenas observá-la e nos arrependermos de não ter feito isso antes. E então tudo parece não fazer sentido, como se estivesse fora do lugar – bobos, olhos de acomodados – e comparando, parece mesmo que estamos em câmera lenta, mas não! Daqui e dali vemos a vida retomando sua forma, agora mais sã, menos perturbadora, mais leve.

Maconha? Alucinógeno?

Não, basta apenas um torcicolo.

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