Crônica “É como diz o ditado”, em Vida a Sete Chaves

Das vezes que a vida nos surpreende, sempre tem aquelas pelas quais ficamos mais satisfeitos com o futuro que nos aguarda. Parece estranho pensar que uma tristeza possa gerar felicidade, mas o ditado mesmo já diz que há males que vem para o bem e, portanto, cabe a cada um estar disposto a entendê-lo.

Mais difícil do que entender, é esperar. Engraçado como tempo ficou escasso e soa hoje como artigo de luxo, que só os mais abastados podem desfrutar dele. Para muitas coisas, só o tempo resolve e é preciso saber esperar. Um dia escutei que quem espera sempre cansa, mas eu prefiro a versão original do ditado e continuar alcançando.

Tudo é uma questão de sensatez – artigo difícil de ser encontrado nas pessoas hoje em dia. Saber entender e questionar não andam mais de mãos dadas e, portanto, não propiciam mais a formação de opiniões a partir do contexto para, então, gerar ações sensatas. Parece que a pré-concepção virou padrão e as ações, que deveriam ser as últimas a chegarem, cheias de razoabilidade, passam a ser as primeiras, mas vazias!, e é quando contrariamos o velho conselho de não botar os pés pelas mãos…

Há tempos que levanto a bola do egoísmo que impera no mundo, praticamente pandemia! É um tal de “eu” daqui, “pra mim” de lá, “meu” acolá que somos até obrigados a lutar pra garantir aquilo que já era um direito individual adquirido, e assim entrar em outro ditado, aquele do “cada um por si…”: todos defendem o seu em detrimento do outro. É, Maquiavel… triste meio para justificar um fim.

Mas enquanto tomarmos por máxima o ditado mais conformista que já existiu, continuemos fracos para lutar contra aqueles com os quais, em tese, não podemos. E se dizem por aí que uma andorinha só não faz verão, eu digo que ela abre as portas para que venham outras. Isso serve para mim, para você, para nós porque, entenda, não estamos sozinhos no mundo, nem mesmo estamos nele por um acaso.

Postura difícil de aplicar, confesso! Mas entendê-la traz clareza de vida, traz até mesmo um coração mais leve de rancores e pré-conceitos que, muitas vezes, sequer temos o direito de criá-los. Filosofias à parte, sempre é hora de fazer diferente e, pelo ditado, nunca é tarde pra começar.

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