Crônica “…somente o necessário!”, em Vida a Sete Chaves

Sou uma péssima influência para o capitalismo.

Àqueles que não suportam os gastos desnecessários de seus respectivos companheiros, deixem-os uma semana comigo e eles te odiarão para sempre – mas provavelmente pensarão duas vezes em comprar algo de que não precisam realmente.

E se o capitalismo fosse uma pessoa, ele também me odiaria porque faço algo que as pessoas ditas “phinas” costumam odiar: eu questiono. Não só questiono como discuto a validade, as implicações e as consequências de certas coisas.

Por exemplo, uma roupa. A etiqueta diz que ela custa três casas decimais, mas percebo que é apenas uma camiseta. Oi? Tem certeza que tudo isso vale uma camiseta, igual àquela do centro da cidade, que eu paguei duas casas? Ah, ela tem um nome… Mas a função dela não é a mesma que a outra? E então as pessoas travam, ficam sem resosta que as justifique porque não querem assumir que, sim, elas têm a mesma função e, portanto, elas estão comprando status.

E assim vai com sapato, bolsa, camiseta de time e coisas que, em geral, não têm composições químicas diferentes. Abro apenas uma exceção para os casos como de remédios e produtos em que o princípio ativo sempre muda e interfere na fabricação, interferindo na utilidade e também na qualidade apresentada.

Celular é que é o bicho. Dificilmente as pessoas percebem que estão seguindo meramente um status quando compram o último modelo da vitrine… Tão desnecessário… Sim, tenho um telefone ceular, de uma marca considerável até, mas ele está entrando em seu sexto ano de vida e vai bem, obrigada. Há seis anos atrás ele era considerado evoluído, cheio de “mimimi” e eu fiz questão de assumir que estava comprando por frescura minha. Já pensei – confesso – em trocá-lo por um mais novo, mais rápido, internet 4G, etc e tal. Aí pensei uma série de coisas que pessoas normais nunca pensam como, por exemplo, que com isso eu ficaria cada vez mais presa à tecnologia em vez de me permitir viver sem ela.

Muitos me questionarão e dirão que celulares high tech são, sim!, uma questão de necessidade, porque existe aplicativo para tudo nessa vida: pra receita, pra taxi, pra pressão… Então novamente eu penso um montão de coisas e questiono o que é, de fato, necessidade.

A conclusão? Minhas roupas são as mesmas há quase dez anos, não tenho mais que 5 pares de sapatos e eu ainda estou com meu bom e velho celular.

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