Segredo da Vida

Uma varinha de condão um dia trouxe tudo o que eu queria para mim. A Vida, que a tudo vê, tudo ouve tratou de preparar logo seu fim. Disse-me ela que nada é… Continuar lendo

Faces

As vezes, eu espero como a Adriana escolho como a Rita desejo como o Vinícius sigo como o Lulu vago como a Zélia penso como o Chico relaxo como o Zeca sonho como… Continuar lendo

Dito Destino

  – Ei, Destino! Por que você não vem brincar com alguém do seu tamanho? Não teve a menor graça, foi piadinha de mal gosto e que só você deu risada. E mesmo… Continuar lendo

T.O.C.

Ela media seu nível de stress por três escalas tonais: os amarelos do algodão no cotonete, os cinzas das olheiras e os brancos da língua. Quanto mais escuros, pior. O médico um dia… Continuar lendo

A lenda

E como fênix, ressurge das cinzas. O medo que rodeia também lhe dá forças para seguir. O destino, sempre ele, não lhe dá tréguas. Os olhos cemicerrados não conseguem enxergar a luz do… Continuar lendo

No fundo do quintal…

Eram dois. E de repente eram três, quatro, cinco, oito, doze, vinte… Perdi a conta de quantos olhos apareceram na cara do Totó quando a Mimi chegou em casa. Ele arrepiou os pelos,… Continuar lendo

Não há fim desse lado do mundo

Em algum dia, em algum lugar do passado que tento fazer questão de esquecer, você apareceu. Não foi inusitado, não foi surpresa, mas eu que não esperava ter tão cedo algo com o que… Continuar lendo

Construção III

Achei que seria um dia como qualquer outro. E me enganei completamente. Ainda que as primeiras horas do dia tivessem sido exatamente idênticas à ontem, o café parecia mais forte, como que já… Continuar lendo

Construção II – A grama do vizinho

Há tempos que o pão não fazia mais parte do desjejum. O café preto era responsável por segurar todo mundo até a hora do almoço. Quase atrasado, beijou mulher e filhos, com pressa,… Continuar lendo

Construção I: Santo de casa

Era para ser igual a ontem. Acorda, toma café; despede da mulher, dos filhos e vai trabalhar. A mesma vida, as mesmas obrigações, a mesma tristeza. A marmita, gelada na bolsa, perde temperatura… Continuar lendo

Solstício

Ali estava ele, pálido pela neblina. Nasce, mas não brilha.

Canja

Caraca, que frio! Tenho que arranjar um jeito de tampar esse vão do box. Ou de tomar banho morno. Sempre esqueço e ligo no mais quente, pelando. Bem que minha mãe diz que… Continuar lendo

Boi encantado

Serpentinas ao vento confetes perdidos no chão. O caminho de cores molhado – não foi a chuva. O galo cantou o boi encantado subiu cortejo em harmonia perdeu o norte, a sorte e a… Continuar lendo

Rural

Rasteira pernada – pra que te quero? Meia-lua de compasso acerta no raio rabo de arraia derrubou. Carro de boi marca do barro – é de manoel? Cabresto de arreio engancha no fueiro… Continuar lendo

Cada História: Capítulo 7

Eu não podia aceitar, Laurinha… Seu Ludovico quis me dar de presente, mas eu não aceitei. É que pra mim o gosto dela é outro, dado não tem graça. Eu até peguei na… Continuar lendo

Cada História: Capítulo 6

Poxa, Laurinha, falei que era pra você ficar sentada lá na frente da livraria! Seu Ludovico tava indo te levar um livro e você sai gritando “caneta, caneta!” pelo corredor? Que nem da… Continuar lendo

Cada História: Capítulo 5

Quem deixou você mexer nas minhas coisas? Aquilo não é pra você! São minhas, as canetas da caixa vermelha são minhas e não é pra rabiscar com elas, tá ouvindo? Não quero pegar… Continuar lendo

Cada História: Capítulo 4

Seu Ludovico é mesmo bacana, né?! Ele sempre deixa a gente pegar qualquer livro lá, mesmo os da vitrine. Ele acha que eu sei ler só porque pego um livro pra te contar… Continuar lendo

Cada História: Capítulo 3

Outro dia eu tava lá na padaria do Joaquim e vi quando a caneta dele caiu no balcão. Ele nem percebeu quando eu peguei, mas perguntou se eu tinha visto. Respondi que não,… Continuar lendo

Cada História: Capítulo 2

É o seguinte, escuta bem, o dinheiro é pouco, já disse que a gente só tem sua pensão. Você sabe que eu não quero ter que trabalhar. Se eu nunca nem estudei, não… Continuar lendo

Cada História: Capítulo 1

Já disse pra você não sair por aí falando tudo que escuta, Laurinha! Assim não dá pra conversar com você, caramba! O que eu falo não é pro vizinho ou pra dona Gertrudes… Continuar lendo

Serventia

Maria queria voar. Roubou asa de assum preto, não deu. Usurpou pena de ema, não deu. Parafusou motor de avião, não deu. Suicidou-se. Foi só tristeza. Anjo não sabe voar.

Retirante

  Valei-me Deus-pai-todo-poderoso, minha mãe Nossa Senhora! De minha vida sofrida, só acho de levar as marcas de peixeira no couro, a saudade do sertão e a fé no Padim Ciço.

Autópsia

Depois que Vitória encontrou seu próprio corpo boiando sem vida na banheira de casa, suas noites nunca mais foram as mesmas. Indignou-se pela sua morte, não recordava dos últimos momentos, nem de qualquer… Continuar lendo

Apoético

Era um lugar cheio de haicai letras caligrafadas e um fraco sol na cara. Nada havia ali nem rima nem métrica ou faz-de-conta. Perdeu o pouco que não tinha que quis ter que… Continuar lendo

Sequência

  Um era homem da lida, calos, pele queimada de sol. O outro era romântico, olhos de uma sensualidade indizível. O próximo era formado de sonhos, esperança e solidão. O último era um… Continuar lendo

Pseudo-poeta

Se a poesia que treino me fosse completa talvez me saíssem pelos poros, quiçá transbordassem incertas. Quisera até mesmo fossem minhas.

Janaina

No negrume da noite afoito o silêncio gritava Que açoite! A senhora das águas devolvia presente de mal grado – oferta renegada.    

Para Quintana

Não pretendo que meu desejo – em um relampejar de vida – desvende os medos que existem no mundo. É que – como em seu papel – ele se transforme no meu medo… Continuar lendo

Vitrine

    Ela só não apreciava a companhia da irmã-gêmea. Era um espelho retorcido de si mesma e  isso lhe dava pesadelos. Sentia que era preciso livrar-se desse carma. Órfã prevenida de pai… Continuar lendo

Ring of Fire

    Medo corrompido Chapéus de manequim, desejo roto. Mais um, menos um, quase não o é. O vazio na mente do diabo é consolo efêmero. A tarde rebenta na seca doçura.  … Continuar lendo

Gratidão e Liberdade

  A você, resta-me apenas gratidão. Afinal, se eu tivesse seguido reto naquele cruzamento, tudo seria diferente. Talvez eu não seja feliz somente quando imagino as possibilidades que teriam me surgido se esse… Continuar lendo

Borboletício de verão

  A cidade chamava-se Vileiro, que simpaticamente recebera esse nome por se tratar de um vale cheio de vilas. A escolha valeu-se da praticidade e de nenhuma criatividade dos seus moradores e prefeito,… Continuar lendo

“Missa do Galo”

  Guardei todas as observações que vi enquanto a família do escrivão Meneses aqui morou. Por um tempo, um rapaz bem apanhado se instalou, com poucos de seus pertences. Livros, sobretudo. Ao que… Continuar lendo

Sombras

Apenas um olho. O outro é torto, enxerga de lado. Queixo comprido, fino, bom para receber pancadas. Juba desconcertada, desgrenhada. Sobrancelha baixa. Dentes afiados, ainda escondidos. Orelha em pé, em atenção. Olha para… Continuar lendo

Última de Gardel

  De sua última visita, lembro apenas do tango. Romântico, foi seu adeus. As garrafas de Rutini marcaram os cantos em que nos encostamos. Ficaram os restos e o cheiro de despedida já começa… Continuar lendo

Bestiário

Akuro é seu nome, não tem passado para contar. Seu corpo, poeira estelar. Vive às voltas do sol, na imensidão. O calor lhe faz bem, lhe enche as pseudo-vísceras. Não sorri, não chora,… Continuar lendo

Lua Cheia (em parceria com Laura Ghellere)

Lua cheia, pé na areia Onda de sereia que chega do mar  Marinheiro só de pé na areia Navega nas águas doas rios, nas ondas do mar É noite de céu de estrela… Continuar lendo

Desejos

  Só quero um menino que voe, o céu como quintal e os pássaros como mestres. Não quero o limite de um tronco, mas a força de uma raiz. No seu perdão, o profundo… Continuar lendo

Incandescente

De leste a oeste, Oriente a Ocidente. Dorme aqui. Acorda acolá. …sem pressa… E X I B I D O É primavera.             verão              outono            inverno No mesmo ponto está outra vez.

meio cheio … meio vazio

Se a boca fala somente do que está cheio o coração… …nossas palavras nos deduram e nem sequer notamos!

Condolências

O olhar está abaixo dos ombros. Irrevogável sentença, veredicto. Um adeus inesperado. Avaria da alma.

Haicai

Dança sobre o vento. Resistente à tempestade, ela sobrevive.

Pergunta…

Se quando acordo já não me pertence mais o tempo que passou, o que será feito dos meus sonhos?

A arte do busão

  Andar de ônibus é uma arte! Posso dizer que tenho vasta experiência no assunto pelos tantos anos usufruindo desse meio de transporte. Que o leitor me perdoe o trocadilho, mas diga-se de… Continuar lendo

Observatório

Sob o choro das nuvens diante da dança do mar olho o passado  se esvair. Sem volta                    a tarde finda Tenho a vida em minhas mãos.

Francisca

O que ela queria mesmo é que o mundo acabasse em barrancos e frangalhos. Não estava sequer preocupada com as contas no fim do mês, nem mesmo se o dinheiro seria suficiente. A… Continuar lendo

Tempo

Diferente, escasso, demorado. Curto, louco, pouco. Louco, bom, antigo. Cinza, longo, saudoso. Ameno, avesso, atípico. Cada um vê o tempo como lhe convém.

Jonas tem que dar certo

 Sinopse  Jonas tem um amigo imaginário, Lucius. O problema é que a única coisa que Lucius não foi de Jonas é amigo. Por conta dele, Jonas sempre foi um azarado e, aos poucos,… Continuar lendo

Pólens

Tenho estrelas que não são minhas, rosas que não brilham. Centelham que não queimam, azuis que não voam. É grande o céu em que passeiam sós. Os grãos ao léu se esgueiram Pacientemente.