Crônica “Licença poética só amanhã”, em Vida a Sete Chaves

Nós vai falar hoje de erro de português. Mas não dos erro comum, que a gente sabemos que acontece.

Porque erro que provém da linguagem falada, da rapidez da comunicação que o dia a dia exige, com um pouco de esforço, até dá pra entender. Justifica-se com a falta de oportunidade de aprendizado, péssimos métodos e condições de ensino (no caso público, na maioria das vezes) e pela dificuldade do ser em lidar com regras impostas (porque não se costuma ensinar a origem ou o motivo delas). Convenhamos que algumas situações da língua portuguesa são mesmo ambíguas e causam discussões colossais a ponto, inclusive, de separar os seus estudiosos em linguistas e gramáticos (e fazê-los brigarem entre si por décadas).

Agora, dói o coração quando encontramos erros em revistas (que passam por revisões e mais revisões), propagandas publicitárias e pior: daqueles que incentivam à escrita e à comunicação. É como se o tiro saísse, literalmente, pela culatra, como se cuspindo para cima caísse na testa, como se o macaco que senta sobre o próprio rabo quando fala do outro. Do meu ponto de vista, eu classifico em apenas uma palavra: inadmissível.

Sim, e não chamem de exagero, uma vez que a função estabelecida nesses casos é a comunicação e dela faz parte a escrita – e a boa escrita. Tendo a concordar com os literatos quando dizem que se a mensagem foi transmitida, o objetivo foi conquistado; mas reforço o time dos gramáticos dizendo que língua mãe precisa ser conhecida, falada  e escrita corretamente. Não há licença poética que aguente, não há justificativa que segure tanta escorregada.

Nem mesmo quando há tradução envolvida. Para quem conhece um mínimo do universo da escrita, sabe que todo e qualquer texto, traduzido ou não, deve ser revisto, deve ser reformado, deve ser corrigido. Suponho que até mesmo gênios tenham dificuldade em escrever de prima, e que por isso também sejam elegíveis a revisores. Pasquale deve dar suas bambeadas, o próprio Chico já teve momentos de dúvida.

Não é o simples fato de escrever errado, mas o desleixo com aquilo com o que se está comprometido.  Plenamente compreensível quando isso acontece entre quatro paredes, mas não quando se sai delas e o desleixo puxa o seu próprio tapete.

Agradeço pela mensagem saudosista, pois boas lembranças tenho desses sete anos.

Mas seria impossível passar em branco.

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